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domingo, 16 de março de 2008

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há momentos em que aparentemente o tempo parece estar parado

um acordo com ele mesmo

o minuto em que as nuvens não se movem

olho-as... completamente imóveis

o segundo em que sustenho a respiração

sinto-me... completamente só

a hora em que a trincheira guardou a ruína do assalto a um nada

vi-a... completamente impotente


atravessa o teu olhar no tempo

observa como de tudo se apodera

as silvas deixaram os seus espinhos cravados no meu corpo

todas as cicatrizes, que ficaram invisíveis, sangram

e quando um outro espinho faz nova ferida

unem-se numa sangria desabrida

para gota a gota me esvair em sangue

atravessa o teu olhar no tempo

quando me olhas e não vês a diferença do ontem

ou notas... mas não o dizes

escondo-te as chagas

mas não os primeiro fios de prata nos cabelos

ou as primeiras rugas

e atravesso o meu olhar no tempo
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e só consigo alcançar a ruína, perdida num tempo que não parou...
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9 comentários:

alice disse...

de quando a idade não avança na mesma medida do tempo, por a primeira ser sempre jovem e o segundo tão antigo.

JG disse...

Aparentemente o meu tempo parou ao ler este escrito.
Quieto, a pensar, a reler.
Grato.

maria josé quintela disse...

tudo se move com o tempo...



um abraço.

TINTA PERMANENTE disse...

O sortilégio do Tempo com sílabas, consoantes em palavras de poesia fluída e linda!...


Abraços!

pn disse...

não voltamos todos, ruínas ou apolíneas estátuas, à natureza madre?

Lampejo disse...

Tufa,

Adoro as tuas palavras tecidas assim:Quase um grito do mar.
Mas porque eu sei bem que tu sabes fazer a rosa do tempo nascer bela.

Assim como você!

(a)braços e flores :)

Marta disse...

O tempo pode ser o nosso maior inimigo se o ignorarmos por completo...
Se o vivermos intensamente....brilhamos...
Texto vibrante.....
Beijos e abraços
Marta

Marginal disse...

A ruina não se alcança.


___acontece___nos.



Só para nos so____erguermos.

AURORA ( LOLA ) disse...

É as vezes bem que eu gostava que o tempo parasse mas só as vezes.





bjs