sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

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recebi um abraço que tão bem me soube. perguntou-me quem mais gosto de abraçar e eu não consegui ainda parar de contar. quis saber também quem eu nunca abraçaria mas essa contagem em pouco tempo acabaria. e quando questionou quem eu tudo dava para poder abraçar deixou-me as lágrimas num quase rebentar... talvez por ter o que não posso dar e não conseguir fazer o tempo para trás andar.








oferecem-se abraços a quem deles precisar ou quem deles gostar e por aqui passar.
um abraço, velas




terça-feira, 6 de Outubro de 2009

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desfiz as malas para um regresso.
arrumei letras e vírgulas!
numa caixa, fechei à chave o ponto
para a apoteose do final.
e à mão, coloquei a interrogação!
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terça-feira, 25 de Agosto de 2009

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fala-me de ti...dos dias que não vivo, dos momentos em que sobrevivo.tu, que em mim tens um lugar cativo.de ti alimento palavras que em meu jardim cultivo.fala-me do valor das coisas, do poder que os silêncios ganham, desta saudade...ela se faz tamanha, da noite escura que a solidão de ser desenha.diz-me como podes...esquecer os dias libertinos, ultrapassar tantos desatinos, não ler nos meus olhos cristalinos a amargura dos nossos dois destinos.pensa-me com carinho...todo aquele que ainda nos restar, pois foi nossa vontade este amar, tão grande a vertigem neste dar, uma loucura aos teus braços me entregar.guarda-me no peito...traz-me em ti presente, eu pensarei em ti eternamente, nem sabendo que estás longe te verei ausente, apenas o destino me desmente, e no fundo de ti não sou já presente.iventa-me pelo menos mais um dia...nem que seja para a despedida ou apenas para anunciares tua partida, passa as mãos no meu corpo de fugida, encontra para o meu coração uma saída, a cura para esta pena infligida.mas agora mata-me...mata o meu desejo antes de te ires, não me deixes sem o conseguires, que me importam já nossos porvires, sucumbo no teu beijo...antes de partires.
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terça-feira, 11 de Agosto de 2009

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que bem me deseja o mundo,

se nem repara quando passo?!
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domingo, 9 de Agosto de 2009

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queria parar o tempo para repousar do bulício de estar viva. sobreviver apenas do ar. cerrar os olhos no final da tarde. apreciar a falta de luz em silêncio. não ouvir nada a não ser o marulhar discreto das ondas. aperceber-me do ir e vir das águas no fervilhar da espuma esbranquiçada, do seu borbulhar nos pequenos orifícios despertos. existe vida! lá dentro, bem no seu fundo, existe vida. uma vida que chupa nutrientes sólidos, oferecidos pelo espraiado abraço do mar.
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quinta-feira, 30 de Julho de 2009

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recomeçarei,
em breve!
num lugar fora do tempo,
um qualquer local fora deste tempo.
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sempre pensei que os pássaros se reinventam,
porque voam,
porque tentam atingir o céu
(também eu tento
e não me reinvento),
porque se elevam no sentido do infinito...
não da barreira terrena.
nela... jazem,
quando sem vida,
mortos!
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sobre nós cai a chuva,
sopra o vento.
esses sim...
nos céus se inventam
e nem tentam!
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recomeçarei,
em breve!
num qualquer local,
fora deste tempo.
e se neste recomeço não existe um eu,
tornar-me-ei ninguém!

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terça-feira, 21 de Julho de 2009

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há meses que não se viam. nesse período nem se tinham falado.
foi um encontro casual que talvez ele evitasse, se pudesse prevê-lo.
apesar do desconforto, parou para conversar.
havia razão para mágoa mas para quê lembrá-la!
o seu sorriso foi honesto, gostou de o ver.
olhou-lhe os lábios e sorriu-lhe de outra forma, não menos honesta.
denotou-lhe a pressa no estar e segredou que lhe apetecia beijá-lo.
a aflição não se fez notar, notou-lha ela no olhar fugidío. um olhar que lhe conhecera.
- não fazias isso aqui, em pleno parque!
- não?? e porque não?!
- os teus...
sorriu - estou só.
os seus olhos olharam-na nos lábios, cobiçaram-lhe a vontade de sorrir. porque sorria?
aproximou-se dele. sentiu-o fugir um pouco.
cresceu-lhe um sorriso malicioso. a língua veio em auxílio da secura dos lábios. os olhos brilharam e lançaram o seu melhor e mais puro sorriso, falaram-lhe pela boca, palavras nas entrelinhas, disseram muito do que queria que ele soubesse.
numa segunda tentativa, conseguiu tocar-lhe o ouvido:

- estou com saudades de ti. apeteces-me mas não te posso...
só porque tu não queres!
ainda conseguiu mordiscar-lhe a orelha com os lábios húmidos.
- vemo-nos por aí!
não esperou para ouvir se houve resposta, para ver se ele ficou a olhá-la...