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domingo, 11 de novembro de 2007


não pode ser o passado a atormentar-me
o que nunca foi e nunca será meu
um passado que não me pertence
onde não existiamos
então porque esbarro nas suas paredes
porque me trava ele os movimentos no presente
me paraliza os do futuro
que passado é esse que me importa tanto
que me leva ao inferno
o meu inferno
um que nunca tão perto esteve
recuso-me a aceitá-lo como dizes ser
ridícula eu!
recuso-me a vê-lo sem ser com os meus olhos
e ficarei cega de o olhar
oiço vozes
uma?
duas?
não sei... oiço vozes
percebo claramente o que dizem
ou aquilo que os meus ouvidos me fazem entender
num passado
recente?
distante?
ausente?
num presente
difuso?
amortecido?
ausente também?
num futuro
que nunca existirá pois não teve passado
e não tem presente?
os meus olhos podem trair-me, sim!
podem ver no escuro uma luz que não existe
ou estar realmente cegos
os meus ouvidos estarão a ouvir do fundo de um túnel
os meus próprios gritos me ensurdecem
para que não oiça nada
ou o silêncio me baralha
de tal forma que já oiço vozes
e estou completamente surda de tanto querer ouvir
e porque não páro?
porque não deixo a cegueira e a surdez de lado

porque não sigo as folhas de outono
outrora verdes
que adormecem no final do verão
para se deixarem morrer
e voltarem a nascer na primavera

porque morro a cada um desses instantes
ou me deixo morrer, pois não me matas
por mais que quisesse ficar viva
sobrevivo apenas com o meu pranto
não consigo renascer a toda a hora
o sossego e a paz já cá não estão
numa busca de paz vivo inquieta
e me deito sem nunca ter descanso

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