.
.

domingo, 1 de julho de 2007



aquele envelope sabia uma história, a nossa, ou parte dela.
a carta que continha era sofrida, sentida, apaixonada, talvez um novo pedido de socorro, sem sentido para ti.
pela sua janela apenas a luz podia entrar e, do seu interior, apenas se vislumbrava o destinatário, um nome... o teu. qualquer um o poderia ler, inclusivé tu. a mensagem, essa, não... a ti era destinada e só tu a poderias conhecer...
não sei se chegou ao destino, embora seja o mais provável... não sei se o envelope foi aberto... não sei se o texto foi lido... se havia a tal vírgula que podia fazer a diferença... se ela conseguiu fazer alguma diferença.
estou a escrever no passado quando o presente ainda não é esse. o envelope ainda está por fechar... por abrir... por rasgar.
vou gostar mais de mim se ficar com a carta e gostarei mais de ti se ta enviar?
gostarás menos de mim se a receberes e gostarás mais de ti se a leres?
continuarás apenas tu a ganhar e eu a perder cada vez mais. então, em nenhum dos casos a devo enviar.
de que lado vem a tortura então? ...do silêncio, do teu silêncio.
o que adianta ficar à espera de um sinal, uma resposta, se o teu egoísmo e a tua cobardia já ma negaram outras vezes. o que adianta sentir-me infeliz se um dia serás mais infeliz que eu. o que adianta pensar em vingança se ela te persegue e te impede de seres livre. o que adianta não querer viver sem ti se tu serias a minha ruína.
o meu sim, que já vagueou pelo talvez e ao sim voltou, vai passar a não.
tu, não...

18 comentários:

maria josé quintela disse...

o ponto final custa muito, eu sei, mas é o único sinal que nos permite arrumar o passado de vez e iniciar um novo parágrafo.
um beijo.

o alquimista disse...

Tu viajas comigo...!

Anónimo disse...

que adianta dizer não se queremos dizer sim...
que adianta escrever NÂO, se todas as nossas células dizem sim?
circe

brisa de palavras disse...

Obrigada pela tua visita e gostei muito deste canto....
Também já escrevi cartas que nunca enviei...porque fiquei sem saber o que alterava...nada provavelmente!

Mas ficarão para sempre escritas dentro de nós.

um abraço
brisa de palvras

della-porther disse...

ufa


boa menina!



beijos

della

ASPÁSIA disse...

AMIGA TUFA

JÁ EM TEMPOS IDOS, AINDA MAL NOS CONHECÍAMOS, EU RECORDO UMA OUTRA CARTA QUE IA SER ENVIADA...
AMIGA, TODOS MAIS CEDO OU MAIS TARDE PASSAMOS POR UMA SITUAÇÃO COMO ESSA DE INCERTEZA, DE QUERER OU NÃO QUERER, DE SIM, NÃO, NIM !
DA MINHA EXPERIÊNCIA DIGO-TE: INFELIZMENTE, SÓ O TEMPO TE PODERÁ DAR A RESPOSTA Q PROCURAS!
NO ENTANTO, AS PALAVRAS AMIGAS, DENTRE AS QUAIS SALIENTO A M. JOSE QUINTELA, SÃO IMPORTANTES E PELO MENOS ENQUANTO ESTÁS "CONNOSCO" NESTA RIBALTA, A TUA DOR RETIRA-SE PARA OS BASTIDORES...

RECEBE UM ABRAÇO APERTADINHO!!!

delusions disse...

"vou gostar mais de mim se ficar com a carta e gostarei mais de ti se ta enviar?
gostarás menos de mim se a receberes e gostarás mais de ti se a leres?"

quando chega a altura em que as perguntas são carícias frias de gelo na pele.


Bjinhos*boa semana

vida de vidro disse...

Em todas as relações, chegam esses terríveis momentos de incerteza. Várias vezes, até que um dia o "não" vence. Quando o amor já diminuiu... **

Anónimo disse...

A ti k eu admiro,
a ti k pontuas tão bem
a ti k falas com o coração
a ti desejo o ponto final
definitivo
neste paragrafo da tua vida

a ti só desejo o bem!!!
kero k sejas feliz e vais SER

Adoro-te

pn disse...

uma carta
que escreveste
só para ti...

interroga o marco do correio
pega num bem-me-quer
fecha os olhos

já seguiu?

tufa tau disse...

não paulo, ainda não seguiu
vou seguir o teu conselho
muito... pouco... nada...

Kanoff disse...

Modula o rouxinol violino alado
as notas musicais da serenata
trovas de oiro e de rosas carmim
na alvura doce do luar coalhado…
Cantam em coro cigarras à desgarrada...
Fura o ralo o fino ar...negro cetim...
na estridência fina de um flautim
pelo trombone do sapo acompanhada...
Das profundezas místicas da mata
cai de uma fonte um harpejar sem fim…
Murmura ao longe a negra ramaria…
Das pedrinhas do rio são arrancadas
notas líquidas verde desmaiadas…
Soa em surdina, o vento em correria…

Madrigal disse...

Sabes, Tufa amiga, o pior dos mails é que depois de carregar no «enviar» já não há nada a fazer. As cartas ainda podem, por vezes, ser resgatadas, mas o mesmo não acontece com a velocidade vertiginosa dos e-mails.

Acho que não deves enviar «a carta», pois se estivesses certa que essa era a melhor atitude, com certeza já o terias feito. A incerteza é a rainha da prudência.

E, nem tanto cinicamente,acho que a melhor forma de «enterrar» um amor é, porventura, «desenterrando» outro amor.

Só um novo amor nos faz esquecer em absoluto um amor anterior - Jorge dixit: et, aprés, la vie continue come il faut, avec les fleurs et les oisaeux dans les ciel des brumes enchantées...

PS. Desculpa o coment paternalista e quiçá desajustado.

Um beijinho grande
Jorge

Rosa disse...

Uma correlação pode indicar-nos se uma coisa tende a aumentar ou a diminuir em função de outra coisa ou se não há absolutamente nenhuma correlação entre as duas. As cartas e os amores desavindos, os desgostos e as rupturas,são realidades indelevelmente ligadas.

Escute o coração e a razão e não faça nada que pense que possa vir a arrepender-se.

Rosa,

Um beijo

Anónimo disse...

Amiga...não podemos fazer como as gaivotas...temos que voar alto...muito alto, para evitar que caçadores furtivos nos atinjam...e por incrivel que pareça eles existem, sempre na mira de uma boa caçada.
beijos

Anónimo disse...

Caçadores furtivos, encartados, sazonais, sempre à procura de donzelas incautas, vestais, para lhe «matar» a honra e trazê-la presa no cinto como um troféu...

Pum Pum.

Anónimo disse...

Querido Pum Pum

"donzelas incautas, vestais, para lhe(s) «matar» a honra e trazê-la(s) presa(s) no cinto como troféu(s)..."não entendi a súbita mudança do plural para o singular!!!

tufa tau disse...

vejam lá meu amigos anónimos, com tantos tiros ainda fico sem blog, ou fico com ele aos furinhos.

mas como sabe o anónimo 1 que o anómino 2 é um querido e não uma querida?