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domingo, 22 de abril de 2007



a água não me mata a sede,
pois a minha sede não é de água.

o que me mata a fome come-me
e o que me ilumina cega-me.
nada vejo...
em vão mo querem mostrar,
não vejo.

é desta cegueira...
deste excesso de luz,
da escuridão,
da transparência,
da turvação,
nem me vejo a mim!
pedirei a narciso um espelho
e verei o meu reflexo,
sem ser eu narciso.
mas não!
não tenho o reflexo de mim.
oh! reparo agora que,
na confusão, estava voltada...
de costas para a luz,
para a nitidez,
de costas para a razão,
estava eu virada de costas para mim!

7 comentários:

A.S. disse...

"a água não me mata a sede,
pois a minha sede não é de água."

... em qualquer deserto encontarás sempre um oásis! E por incrivel que pareça nele existe tudo o que necessitas! Começarás por te encontrar a ti!

Um beijo!

maria josé quintela disse...

às vezes também é útil estar de costas. depois da cegueira, a visão torna-se muito mais lúcida.

um beijo.

Moonlover disse...

lindo este poema

reflete bem as nossas incertezas

um beijo,
moon

Teresa Teixeira disse...

Obrigada! :)))
É lindo o teu «espaço»!

Pedro Branco disse...

Hoje acordei de noite mas ela não me falou. Banhou-me uma lágrima e deixou-me sentado no chão, a olhar a lua. E assim, de olhos em rio, percebi que se partiram os espelhos...

tufa tau disse...

triste sina... espelhos partidos...
olhos já banhados em lágrimas...
sete anos de azar... a lua no olhar mas sentado no chão...
e ela muda... não acorde de noite... abraçe-a de dia...

bom dia isabel disse...

Ás vezes andamos às avessas.Mas descobri-lo nem sempre é difícil.
Retoma o caminho e encontra-te.
Beijinhos